Quarta-feira, Abril 26, 2006

Paz.

Já disseram que a guerra é indispensável para a paz. Assim como o ódio para o amor. Se um não existisse não veríamos o outro, pois vivemos a dualidade, o paradoxo sombra e luz.

Mas somos tão limitados, inclusive na análise da dualidade, que deixamos de avaliar sua essência. Os opostos, em que pese guardarem este rótulo, não se opõem mas se contém. Dentro da paz há a desarmonia e dentro dessa encontramos a paz. Basta ter “olhos de ver” e a dualidade se esmaece como a bruma da manhã ao nascer do sol.

No mesmo instante, podemos estar em paz, em que pese a desarmonia que domina nossos sentimentos e podemos amar, ainda que odiando, pois como seres humanos nos é permitido odiar. Só que somos tão humanos que também podemos amar... Aí está a beleza da vida.

A paz pode estar no hausto do corredor ou no silêncio negro da noite, no marulhar das ondas ou na impetuosa tempestade. Está na transformação, no lugar em que o outro está e no que estamos, independentemente do nosso estado de espírito.

Deve ser menos falada mais sentida e muito mais pró-ativa...

Casa nova...

Até aqui, os queridos amigos que obstinadamente tiveram a paciência de ler o que escrevo, perceberam que estão os textos antes publicados no MSN Spaces, endereço anterior que me abrigou.
Seguindo o conselho de diversos bloggeiros profissonais, esta amadora mudou então de residência virtual, mas ficou com pena de abandonar tudo que já foi escrito e resolveu postar tudo novamente, neste blog, respeitando a data de criação.
Daqui por diante, só entram temas novos, com exceção, como vocês já viram, do “Quem sou eu?”, pois ainda não consegui pensar em um novo. Sejam todos bem vindos!

Ação e Reação no Oscar - Escrito e publicado em 19/02/2006.

Ontem assisti “Crash – No Limite”, um dos filmes indicados em diversas categorias do Oscar 2006. Além dele, já assisti ao “Segredo de Brokeback Mountain” e “Jardineiro Fiel”. Arthur Spiegelman faz um comentário no Terra (http://cinema.terra.com.br/oscar2006/interna/0,,OI859677-EI6277,00.html), salientando a seriedade da premiação deste ano. A maioria dos filmes aborda temas polêmicos como as relações homossexuais, preconceitos racial e religioso, desigualdades sociais de uma forma contundente e oportuna.

Mas de todos, o que mais me impressionou foi “Crash”, seguido de perto por “Jardineiro Fiel”. A primeira impressão que temos, é que o filme trata do preconceito e dos diversos alvos que pode atingir. Mas analisando além da superfície, percebemos que consegue alcançar diversos aspectos da natureza humana.

Demonstra, em primeiro lugar, a imensa intolerância que temos com quem nos cerca, sem que esta decorra apenas da raça ou da cor. O preconceito dá força aos atos de quem não aceita o ponto de vista ou as características da personalidade do próximo. Eu por exemplo, me irrito profundamente com pessoas arrogantes. Se além dessa intolerância eu fosse ainda preconceituosa em relação à religião e o arrogante professasse uma crença diversa da minha, minha irritação apenas aumentaria. Mas o fato gerador é a arrogância, ou seja, uma característica de personalidade (nem vou questionar aqui porque pessoas arrogante me incomodam, isso eu faço na terapia! – rs). Diversas pessoas que são abertamente preconceituosas conseguem refrear suas atitudes se o “alvo” tiver uma personalidade compatível com a sua.

Além disso, e acho que este é o ponto principal do enredo, evidencia o quanto nossas pequenas atitudes funcionam como uma gota caindo em um lago. De uma forma ou de outra, ondas vão se formar, pequenas ou grandes, conforme o tamanho da gota e a placidez da água. E essa repercussão é responsabilidade exclusiva da gota.

Pouco importa se foi jogada, se caiu por vontade própria ou se teve intenção de fazer um estrago nas águas calmas. E isso vale para nossas atitudes.

Quantas vezes, na tentativa de ajudar alguém que não pediu ajuda, acabamos atrapalhando a vida da pessoa de uma forma absurda, em decorrência da nossa pretensão – como diria uma amiga minha? E quantas outras nos abstemos de ajudar mesmo vendo a súplica expressa nos atos e nas palavras alheias, afinal, em alguns casos, ajudar pode dar muito trabalho...

Além disso, julgamos demais. Acreditamos saber o que o outro pensa e muitas vezes interpretamos de forma errônea o que nos dizem. Tudo de acordo com os nossos valores que, no mais das vezes, são muito diferentes dos valores que pautam o comportamento de quem nos cerca. Destes julgamentos tortos, decorrem brigas, separações familiares e mal entendidos que viram câncer.

Nestes momentos, exatamente quando a pressão nos cerca por todos os lados em virtude da forma como agimos, a vida nos dá o sinal que precisamos para recomeçar ou, no mínimo, para mudar. No filme, cada uma das pessoas envolvidas teve o seu sinal. Alguns os perceberam. Outros seguiram a vida até que ela lhes desse um novo sinal. Os últimos sequer questionaram o motivo daquele fato ter ocorrido. Simplesmente o entregaram ao destino ou o consideraram uma fatalidade que não decorreu de nada e que não vai gerar pequenas tsunamis nas vidas alheias.

Cabe a cada um de nós no mínimo tentar enxergar o seu sinal, antes que o caminho iluminado com uma luz tênue não precise se transformar em um campo minado, que se ilumina quando a mina explode, pois nesse caso, a gente explode junto...

Amores descartáveis. - Escrito e publicado em 08/02/2006.

Sabem, me considero uma pessoa de sorte. Já amei e já fui amada por meus parceiros.

Quando falo de amor o conceituo, evidentemente, pelos meus parâmetros. Vai além, muito além do sexo. Meu amor vem embalado pela amizade, cumplicidade e companheirismo e atado por um laço invisível que lança fagulhas minúsculas de entendimento mútuo e imediato com um simples olhar, que ninguém explica, só sente. Bem, talvez eu esteja falando de telepatia (rs). É quase isso.

Muitos de vocês vão dizer que minha visão de amor aproxima-se à dos contos de fada. Mas percebam que os requisitos “felizes para sempre” e “mocinho e mocinha impecáveis” não estão presentes...

Observando o mundo em que nos colocaram, percebo que a exteriorização do meu conceito de amor é rara, difícil. Várias pessoas que conheço nunca provaram dessa fagulha, talvez por não encontrarem, talvez por não se permitirem.

Só que esta busca não pode ser determinante para o abandono – ou não, pois só abandonamos o que já tivemos – dos princípios éticos e até morais – é, a moralidade está voltando à moda. Esta busca incessante do amor produz sentimentos imediatos e descartáveis e em conseqüência, pessoas descartáveis. A sensação é experimentada superficialmente e sem envolvimento, quase como a degustação de vinhos, quando não ingerimos o líquido pois temos muitas vinícolas a conhecer e safras diferentes a provar.

Os relacionamentos são efêmeros porque os solteiros que já sofreram têm “medo de se envolver” – não sei se isso virou mantra ou escudo. Os que não sofreram esperam que algo miraculoso aconteça e o amor da sua vida caia do céu.

O casamento com a pessoa que teoricamente você escolheu para compartilhar a vida, é desfeito de forma rápida, afinal trás mais responsabilidades do que prazeres.

Não pretendo aqui ser careta ou pregar que escolhemos uma vez e devemos levar as palavras “até que a morte os separe” ao pé da letra. Mesmo porque, já me separei duas vezes. Mas o fato é que a “alma gêmea”, a “pessoa perfeita” não existe. Até mesmo porque o conceito de perfeição que tenho hoje não é o mesmo que terei amanhã.

Todos temos nossas patologias, umas mais outras menos sérias, e cabe a cada um de nós desenvolver a aceitação da patologia alheia, tornando a convivência possível. E vice versa. É uma via de mão dupla.

O bom e velho auto conhecimento é fundamental para descobrirmos o que é e o que não é aceitável no outro, sem extremos. Afinal, existem muitas características que não nos agradam mas são aceitáveis. Outras, são definitivamente insuportáveis e nos fazem mal. Fugir do relacionamento quando nos deparamos com as primeiras só faz com que corramos para outra fuga, sem percebermos que o “problema” do relacionamento é nossa própria auto-estima. Sair do relacionamento quando percebemos que as segundas estão presentes é sabedoria.

Finalmente, o respeito é imprescindível em relação a todas as partes envolvidas. Inclusive “terceiros de boa fé” - maridos e esposas que desconhecem as necessidades de experimentação de seus parceiros. A transparência é sempre a companheira ideal do respeito e, ausente da relação, irremediavelmente vai dar origem a um relacionamento mal resolvido e provavelmente à uma doença psicossomática... Como, teoricamente, não queremos adoecer, sejamos verdadeiros! Conosco e com o próximo, esteja ele próximo ou não...

Charme do mundo - Escrito e publicado em 27/01/2006.

Estava voltando para casa e enquanto eu via as luzes da Beiramar refletidas no mar, por uma daquelas “coincidências” tocou uma música que acho que é da Marina, chamada Charme do Mundo. Vale transcrevê-la porque ela conseguiu externar meu estado de espírito naquele momento. Digo naquele momento pois tudo muda, evidentemente.

“Acho que o mundo faz charme,

E que ele sabe, como encantar...

Por isso sou levada, e vou, nessa magia de verdade.

O fato é que sou, sua amiga e ele, me intriga demais!

É um mundo tão louco, que mundo mais louco. Até mais que eu.

É febre amor, e eu quero mais,

Tudo que eu quero, sério,

É todo esse mistério...”

Pois bem. Todos os encontros e desencontros da vida, toda a evolução e involução dos acontecimentos, começos, recomeços, releituras do passado... São mistérios que não temos domínio ou mesmo condições de conhecer. E como hoje estou com mais vontade de pensar do que de escrever, tive a intenção de transcrever a música, para que cada um de nós pense em como se relaciona com esse mundo charmoso.

É Natal. - Escrito e publicado em 19/12/2005.

Ah ah! Aposto que ao ler o título pensou que se tratava de mais um daqueles textos melosos? Pois se enganou redondamente (he he he).

Depois que tentei escrever no blog, com a aproximação das festas de fim de ano algumas pessoas me perguntam: e aí, quando vais escrever uma mensagem apropriada à época? Isso quando não me pedem: escreve o cartão de natal para fulano? A vontade que tenho é responder que não sou garrafa para trazer mensagem de náufrago. Ainda bem que ando mais controlada ultimamente...

Mas querem saber? Criatividade compulsória não funciona.

Escrever é um prazer que reflete como se sente meu eu interior em relação ao mundo e à vida. Se estiver insatisfeita com o que vejo ou sinto, não consigo me expressar com liberdade.

Uma das minhas insatisfações surge exatamente neste período tão obrigatoriamente feliz do ano. Quando todos se abraçam e fazem promessas de mudança e progresso, vejo hipocrisia. A maioria das pessoas empenha sua palavra embalada pela ilusão do recomeço que o início do ano trás. E infelizmente, empenha só a palavra e não o gesto. E palavra sem atitude não tem nenhum valor.

Finalmente, com o início do novo ano, o promitente se concede a liberação tácita para voltar a ser o que sempre foi, especialmente após a libertação do efeito inconsciente que a mídia tem sobre os sentimentos. Pudera, não tem mais motivos para comprar... Pelo menos não em janeiro. Mas aguardem que o carnaval já chega.

Tá, tudo bem... É um pouco cruel da minha parte. Concordo que o amor ao próximo, o carinho e a caridade não devem ser abandonados apenas nesta época por rebeldia – o que, diga-se de passagem, tenho vontade muitas vezes de fazer. Só que minha fase de adolescente rebelde passou. Há uns dois anos só. Mas passou.

Então, minha conclusão neste fim de ano se dirige aos poucos ouvidos atentos e conscientes, que pertencem, dentre outros, aos meus seletos leitores:

Ame a você mesmo e ao seu próximo. Apesar de ser natal.

Comemore. Em que pese estar iniciando um novo ano.

E o mais piegas de todos os conselhos de fim de ano: seu ano novo, e todas as propostas que normalmente o acompanham, começa a cada segundo do seu presente. Todo dia.

Curiosamente, o piegas sempre traz um pouco de verdade.

Ah ah! Aposto que ao ler o título pensou que se tratava de mais um daqueles textos melosos? Pois se enganou redondamente (he he he).

Depois que tentei escrever no blog, com a aproximação das festas de fim de ano algumas pessoas me perguntam: e aí, quando vais escrever uma mensagem apropriada à época? Isso quando não me pedem: escreve o cartão de natal para fulano? A vontade que tenho é responder que não sou garrafa para trazer mensagem de náufrago. Ainda bem que ando mais controlada ultimamente...

Mas querem saber? Criatividade compulsória não funciona.

Escrever é um prazer que reflete como se sente meu eu interior em relação ao mundo e à vida. Se estiver insatisfeita com o que vejo ou sinto, não consigo me expressar com liberdade.

Uma das minhas insatisfações surge exatamente neste período tão obrigatoriamente feliz do ano. Quando todos se abraçam e fazem promessas de mudança e progresso, vejo hipocrisia. A maioria das pessoas empenha sua palavra embalada pela ilusão do recomeço que o início do ano trás. E infelizmente, empenha só a palavra e não o gesto. E palavra sem atitude não tem nenhum valor.

Finalmente, com o início do novo ano, o promitente se concede a liberação tácita para voltar a ser o que sempre foi, especialmente após a libertação do efeito inconsciente que a mídia tem sobre os sentimentos. Pudera, não tem mais motivos para comprar... Pelo menos não em janeiro. Mas aguardem que o carnaval já chega.

Tá, tudo bem... É um pouco cruel da minha parte. Concordo que o amor ao próximo, o carinho e a caridade não devem ser abandonados apenas nesta época por rebeldia – o que, diga-se de passagem, tenho vontade muitas vezes de fazer. Só que minha fase de adolescente rebelde passou. Há uns dois anos só. Mas passou.

Então, minha conclusão neste fim de ano se dirige aos poucos ouvidos atentos e conscientes, que pertencem, dentre outros, aos meus seletos leitores:

Ame a você mesmo e ao seu próximo. Apesar de ser natal.

Comemore. Em que pese estar iniciando um novo ano.

E o mais piegas de todos os conselhos de fim de ano: seu ano novo, e todas as propostas que normalmente o acompanham, começa a cada segundo do seu presente. Todo dia.

Curiosamente, o piegas sempre traz um pouco de verdade.

Passos na corda bamba. - Escrito e publicado em 14/11/2005.

Pois é. Sentei para escrever e pensei: será que vou racionalizar sobre a ética?

Não. Gosto da idéia do mundo movido pelas emoções. Mas emoção sem ética existe? Claro! Mas presta? Depende. A resposta preferida dos filósofos.

Pois é. Será que amar o próximo é exigir dele que viva em função dos meus desejos? Agir assim vai construir alguma coisa? Vai, sem dúvida! Um escravo ou um marionete.

Ninguém nasceu para ser manipulado por outro ser vivente. A menos que um queira manipular e o outro queira ser manipulado. Cada um com sua patologia...

Mas o ser humano inteiro não manipula. Simplesmente é, independentemente do que o outro pensa.

O ser humano inteiro, não precisa da aprovação de seus pares. Basta que, como disse Aveline (*), busque aconselhamento em seu coração, sua alma imortal. Os caminhos por ela ditados poderão ser trilhados sem o assalto da dúvida.

Está tudo muito bonitinho. Mas Aveline, que negócio é esse de “caminho do guerreiro”? Para sermos leais com a verdade e com o bem, e coerentemente éticos em nossas atitudes tem receita? Hum... Sete passos...

Já empaca no primeiro. Coragem. E o que fazemos com os medos não admitidos nem para nós mesmos? Levamos um papo com eles e explicamos que não têm razão de ser? Tá, mas e o medo de eles não nos escutarem?

Aí, não satisfeito com a coragem, vem com essa história de aceitar as derrotas. Mas como eu, ser superior e evidentemente perfeito posso admitir ser derrotado? Posso é? Ah... Bom... E não posso me deprimir pela imensa injustiça do universo que “me” deu uma rasteira. Esse negócio está ficando difícil. Carma? Ah, conta outra! Desde quando minhas atitudes tem conseqüências? Não, de forma alguma. Só o suposto mal que os outros fazem a mim é injusto.

Escuta aqui. Como assim tenho que ter consciência da minha mortalidade e aproveitar as oportunidades que surgem na minha frente? Uma hora me dizem que sou imortal e na outra falam que vou morrer rapidinho. Assim como em um momento acredito que aquela mosquinha voando no teto é apenas uma mosquinha voando no teto, no outro meu irmão a enxerga como um exemplo de vida... Esse pessoal não decide e vem com a história de que há verdade em todas as afirmações. Eu podia questionar o que é verdade... Mas daí a iríamos longe demais, em que pese este também ser um conceito extremamente relativo.

Aqui pega no calcanhar de aquiles. Como não vou me expor demasiadamente, se os holofotes do mundo voltados para mim são simplesmente ma-ra-vi-lho-sos? Posso até dizer que não me importo, mas no fundo, bem no fundo, quando eles me iluminam, me sinto mais feliz. Só vale aqui avaliar que felicidade é esta. De dentro para fora ou de fora para dentro?

O quinto requisito: aquietar-se. Mas e o mundo? E a vida? E meus compromissos? Basta perguntar se tudo isto é realmente a vida. E para variar, o paradoxo se estabelece.

O propósito da busca da verdade claro e firme na consciência durante todos os momentos. E o que é que eu faço se meu filho chorar porque caiu no chão e ralou o joelho? Explico para ele que joelhos em contato como asfalto normalmente ralam, especialmente se associados ao descuito do proprietário do joelho, ou lhe dou um abraço, assopro e digo que vai passar? Tá, entendi. Deve ter um meio termo. Os budistas que o digam!

O último passo do guerreiro! Evitar fazer movimentos inúteis. Tudo bem, não vou perguntar o conceito de inútil (rs). Mas o que a gente faz com as emoções? Com a passionalidade humana, com a raiva, com o ódio e com aquele amor torto e apegado? Estes sentimentos em muitos momentos nos levam a fazer o que nossa consciência não aprova mas os sentidos desejam, atos que em CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão) deixaríamos de lado por contrariarem nossos princípios.

Pois é. Nenhum de nós, encarnadinho aqui na terra, é lá muito santo e tenho certeza que em algum momento da vida já pensou ou talvez até pense desta forma ao ler cada passo do Guerreiro.

Mas o foco deve se manter no que podemos alcançar, no que é realizável em nosso pequeno império pessoal. Se mantivemos a atenção no que não podemos fazer, conhecer os passos que devem ser seguidos não terá tenhuma serventia.

Diversos dos nossos companheiros de humanidade - fato que também não é lenda, pois os conheço e aprendo com eles - seguem este caminho e se saem muito bem. No mínimo muito melhores que eram no início da caminhada.

E se caímos de para-quedas aqui, no planeta terra e no ocidente, onde a possibilidade de iluminação observando uma árvore se esvai muito facilmente - embora não seja impossível, com certeza temos muito a aprender neste exato local.

Lembrando da corda do violino (afinal, não lembro o nome do instrumento original citado na parábola), não podemos nem esticar nem afrouxar muito a corda da vida, caso contrário, ou ela arrebenta ou não emite som algum.

A manutenção do equilíbrio em todas esferas da vida é fundamental para que possamos ser Guerreiros coerentes que estabelecem metas razoáveis pautadas em ideais saudáveis e evidentemente, éticos.

Precisamos de menos palavras e mais atitudes conscientes.

Precisamos...

Olhem, eu ia emendar uma porção de precisamos politicamente corretos.

Mas querem saber? Precisamos descobrir do que realmente precisamos... Já é um bom começo.

(*) Texto inspirado no Livro “Três Caminhos para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline (Brasília: Teosófica, 2005) e no Seminário “Ética, A Arte de Ser Coerente”, ministrado pelo Autor na Formação Holística de Base da UNIPAZ (Fpolis, 12 e 13 de novembro de 2005).

Competição - Escrito e publicado em 31/10/2005.

Vamos criar uma situação hipotética.

Dois amigos se dão muito bem e fazem diversos programas juntos, as esposas se dão bem e os filhos são colegas de escola há muitos anos. Uma amizade muito estreita.

Ambos costumam jogar tênis juntos e jogam bem. Um terceiro amigo sugere que todos entrem em um pequeno torneio no clube. Como sabem que são bons jogadores se empolgam e aceitam a proposta.

O torneio tem seu andamento normal e ambos vão vencendo todas as partidas até o ponto em que têm que enfrentar um ao outro.

Naquele exato momento, em que estão um frente ao outro na quadra de tênis, percebem que toda a harmonia que tinham desaparece. Em seu lugar, surge um sentimento mais instintivo, mais bruto e a vontade de ambos é sobrepujar o amigo, mostrar que é melhor e mais forte.

O saque é mais forte e não tem o objetivo apenas de acertar dentro da quadra. A idéia principal que toma conta do campo mental dos dois é também acertar o amigo com a bola. E a troca de agressividade cresce a um ponto em que um não mais reconhece o outro. E nenhum dos dois percebe seus próprios sentimentos, busca apenas encontrar o ponto fraco do outro.

Tá Anelise, e qual a intenção desta historinha?

Primeiro: perceber de onde vem este sentimento amargo que mexe com as entranhas de forma violenta e faz com que os amigos esqueçam que são amigos e passem, ainda que apenas por aquele instante, a ser predadores um do outro.

Segundo: será que pelo simples fato de manifestarem este sentimento, devem questionar seus sentimentos fraternos?

Terceiro: porque não percebem que a reação agressiva de um repercute no outro e que a resposta à agressão apenas eleva seu potencial? Porque não conseguem parar a cadeia?

Quarto: o torneio de tênis era realmente tão importante?

A primeira conclusão que chegamos, é que as duas pessoas envolvidas já atravessam por um trabalho de contenção do seu ego, afinal, conseguiram conservar seus sentimentos tranqüilos e um relacionamento saudável por muito tempo, resolvendo suas pequenas pendências nos momentos em que aconteciam. Já é uma grande vitória.

A maioria das pessoas que habita nosso planetinha não tenta controlar seus instintos primais e na verdade acredito que nem pense neles. Trata-se de simples manifestação do que acreditam correto.

Nossas escolas e nossa sociedade estimulam a competição e rivalidade entre as crianças desde muito cedo. É importante ser o melhor, o mais forte, mais inteligente e guardar o mantra “farinha pouca meu pirão primeiro”. Só que ninguém percebe que assim se criam pequenos monstros que adultos serão grandes monstros, que não conhecem o poder da cooperação e da união. Atualmente entendo que a situação é ainda mais grave, pois além rivalizar os alunos e filhos os pais e educadores são hipócritas, pois mantém o discurso politicamente correto e no mais das vezes agem de forma diversa.

A reação dos nossos amigos na historinha é a imediata conseqüência desta educação. E sem dúvida é a reação que cada um de nós tem em muitas situações semelhantes e talvez não tão explícitas. Como diz um amigo meu, é momento em que dá “uma reviravolta aqui” (com movimentos circulares na barriga... rs...). O animal escondido dentro de cada um de nós se liberta e cega a razão. Deste animal interno nascem muitos dos crimes perpetrados na nossa sociedade.

Claro que não podemos culpar apenas nossa “sociedade malvada”. Senão também tudo fica muito fácil. Cada ser é diferente e teve experiências de vida que ainda que tenham sido semelhantes às de outras pessoas, foram assimiladas de forma diversa por cada indivíduo.

Certo. Isso quer dizer que os amigos não são tão amigos quanto imaginávamos? Errado. Todo passo em direção à união é um bom passo. Não existe conceito estanque de nada, muito menos de amizade. O sentimento que tenho em relação ao meu próximo hoje não é o mesmo que terei amanhã ou que tive ontem.

No meu ponto de vista, o mais importante é a consciência desta animalidade momentânea. E principalmente a atitude que a refreia, que quebra o ciclo de violência.

Em nosso cotidiano, no mais das vezes, não tomamos consciência dos nossos sentimentos, parando a roda viva emocional e apontando para eles perguntando: quem é você e o que está fazendo aqui? Porque veio? Com esse simples reconhecimento se dá a interrupção do ciclo, pois temos condições de reconhecer, basicamente, o que é bom e o que é mau, o que é ético e o que não é.

Se um dos dois amigos mudasse sua posição mental agressiva, ainda que permanecesse jogando, teria condições de alterar a predisposição mental de ambos. Os saques são mais controlados e o jogo adquire um ar de civilidade.

A outra opção que poderiam aplicar os amigos, se tivessem consciência de suas reações, é simplesmente optar por não jogar. Evita-se o mal evitando o fato gerador. Mas para isso, sem dúvida, temos que aprender que tipo de sentimento cada fato da vida nos desperta. E isso só conseguimos descobrir vivendo.

Cabe aqui citar um pequeno trecho do Bhagavad Gita, uma “conversinha” básica entre Arjuna (representando o ego humano) e Krishna (o Eu divino do homem), quando este faz ao primeiro a Revelação da Verdade:

“14 - Quando os sentidos estão identificados com objetos sensórios, experimentam sensações de calor e de frio, de prazer e de sofrimento - essas coisas vêm e vão; são temporárias por sua própria natureza. Suporta-as com paciência!”

Aprendi. - Escrito e publicado em 31/10/2005

Neste final de semana aprendi e apreendi.

A vida demonstrou que um grupo de pessoas reunido com o mesmo objetivo consegue passar dois dias sem julgar seu companheiro de caminhada e sem fazer ao outro o que não gostaria que fizessem para si. Se um, apenas um ser humano pode - e olhe que aqui foram vinte e cinco - a humanidade toda também pode fazer o mesmo durante sua existência.

E acabou-se a dureza da vida.

Este mesmo grupo consegue ser compassivo, forte, alerta, amoroso, confiante, leve, alegre e uno. Ainda que dele participem individualidades totalmente diversas. O resultado é amor nos olhos e comunhão no espírito.

Descobri que esta atitude pode perdurar ao longo da nossa caminhada diária, basta ter a coragem de ver os sinais da vida e de escolher atendê-los. A palavra chave é escolha. Sua companheira é a mudança.

Tive provas concretas de que homem e mulher, masculino e feminino, macho e fêmea, podem ser dois e um ao mesmo tempo. Basta que sejam inteiros em si e dispostos a compartilhar o mesmo caminho, que a vida lhes sorri e ambos resplandecem.

Vi, não me contaram, que por vezes a sensibilidade não é privilégio feminino. Ele pode ser “a” e ela pode ser “o”. Sem que deixem de ser homem e mulher. Percebi que a dualidade está nos olhos de quem vê e escolhe o que quer ver.

Me ensinaram também, que ter compaixão, aceitação e tolerância são escolhas que fazemos a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo. Agora. O passado? Passou. O futuro? Ainda não chegou. E ora vejam só! Não é que ver as rosas entre os espinhos torna o mundo multicolorido sem ser superficial?

Descobri também, que doar é muito mais fácil que receber. Quando doamos, sabemos que dispomos do que entregamos. Se recebemos temos a incerteza do conteúdo. E quando o conteúdo nos surpreende, a fé e a alegria se instalam lépidas e fagueiras em nossa alma.

Sabiam que o limite do toque acorrenta a vida? Pois é. Nos vinculamos aos padrões sociais que nos restringem de tocar e abraçar o mundo e nos tornam máquinas de viver com um roteiro social pré-definido. E se o limite do toque acorrenta a vida, o medo de não ser aceito acorrenta a alma.

Vi também que pedras que habitam nossos corações podem escolher virar água, árvore, luz, sol... É só decidir.

Além disso, sabiam também que é possível mudar de planeta com os acordes de um violão? Eu também não sabia. Mas é. Basta deixar que ecoem suavemente no coração e na alma, entregar-lhes o manche que te levam para outra galáxia num piscar de olhos.

Ah! E a serenidade plena pode surgir da inquietação da mente. Paradoxal e verídico. Estava na minha frente! Ninguém me contou!

A vida novamente foi pródiga em sua mensagem durante dois dias entre um monte de gente louca aos olhos do mundo e livre aos olhos de Deus, que se abraça o tempo todo, chora, ri, dança e diz Namastê e Shalon... Se este é um conceito de loucura, por favor me internem!!!

(Inspiradíssima com o Seminário Redefinindo o Ser - Unipaz/SC.)

Nossos pequenos filósofos - Escrito e publicado em 25-10-2005.

Ao avaliar superficialmente as informações sobre educação e psicologia infantil contidas na mídia, observo que inclusive nestes assuntos tão amplos nossas crianças cada vez mais recebem o mundo mastigado e pronto para consumo.

Não falo aqui do assunto batido e rebatido relativo ao consumismo exagerado de bens materiais. Falo do viver, do sentir e do pensar na vida mesmo. Na realidade a palavra é: filosofar.

Se a criança pergunta: - Mãe, como eu faço para montar isto? Nossa tendência imediata é ou montar ou explicar claramente como deve fazer. Raras são as vezes que perguntamos: Como VOCÊ acha que se monta?

O mais interessante, é que quando fazemos esse tipo de pergunta aos nossos filhos, obtemos respostas impressionantes e criativas nas quais talvez nós mesmos, adultos e onipotentes, nunca tenhamos pensado. É possível vermos as pequenas mentes trabalhando e as sinapses nervosas surgindo.

Chego à conclusão, que em que pese nossa responsabilidade como pais que somos, talvez tenhamos mais a aprender com nossas crianças do que ensinar. Quando aprendemos a interagir com eles e na realidade a pensar também, sem consumir o mundo enlatado ou viver a vida em piloto automático, conseguimos ver a vida sob ângulos diferentes e por vezes mais divertidos do que acreditávamos possível. Basta fazê-los pensar!

E esse papel é também da família, ainda que a escola tenha o dever da educação. A criança que é ensinada que o “jeito certo” de desenhar uma flor com o cabo verde, as pétalas vermelhas e o miolo amarelo, vai acreditar no que o adulto está lhe falando, pois é dependente também do conhecimento dos que lhe cuidam e educam. A partir do momento em que ela entende que pode desenhar sua flor da forma que achar mais bonita, vai entender também que pode viver sua vida sem tanta rigidez conceitual, sem tantas crenças. E vai também conseguir argumentar com o educador mais tacanho que lhe impõe a flor tradicional. Conseqüentemente, quando adulto, conseguirá argumentar com a vida.

Evidente que para que nossos filhos pensem por si próprios precisam ter valores morais e éticos também inseridos em suas vidas desde pequenos. O respeito com o próximo e consigo mesmo, o carinho pelo ser humano sem preconceitos, pela natureza e a consciência de que vivemos em um planeta com recursos naturais finitos.

Isso sem falar na aceitação de que cada pessoa é e sempre será diferente da outra e julgá-la não vai fazer com que mude. E que estar ou não e ser ou não amigo ou companheiro de alguém, é uma escolha sua.

O pensar por si só - que, diga-se de passagem, já é um ponto difícil na educação, dadas nossas limitações pessoais - não faz com que nossas crianças venham a ser pessoas “do bem”. A somatória do pensamento com os princípios morais e éticos elementares para uma convivência em sociedade sim.

Vê-se daí, que a educação dos nossos pequenos é uma tarefa Hercúlea, especialmente porque a maioria de nós sequer reflete sobre o assunto. A correria, a vida, os compromissos profissionais e sociais nos limitam. Só não percebemos que estas também são escolhas nossas e que pararmos para “filosofar” também é fundamental!

Escolhas - Escrito e publicado em 19/10/2005.

Aventurei-me muito de leve na “tribo” dos filósofos, especialmente porque não tenho a menor pretensão de sê-lo. Mesmo porque, quem pesquisa filosofia só na internet e em um ou dois livrinhos não tem o menor amparo para dizer que conhece filosofia. Mas que é bom pensar, lá isso é. E isto eu não me abstenho de fazer.

Mais uma vez, o orkut me conduziu à conclusões totalmente diversas do foco inicial. Ou não.

Na verdade, ao ver algumas comunidades sobre filósofos percebi que não importa o que determinado filósofo disse ou deixou de dizer. Importa, que um deixe claro ao outro que conhece a toda a obra da criatura, que leu seus escritos e os sabe de trás para frente. Tipicamente humano. Ou - já que o pobre do Nietzsche está na moda - “humano, demasiado humano”.

As discussões são acaloradas e sanguíneas, tentando quase sempre sobrepor a verdade de um sobre a do outro. Exceto quando vem o boa paz e diz: gente, não é bem assim. Concordo com o boa paz. Nem tudo é inteiramente bom e nem tudo é inteiramente ruim. Esta visão parece muito “em cima do muro”? Prefiro dizer que é uma visão caminho do meio, como pregam os budistas.

Temos capacidade de ler o que os filósofos dizem, ou o que nos disseram que eles disseram e daí extrair o que nos interessa ou não. É assim que crescemos e vamos compondo nossas personalidades.

Vi diversas discussões sobre a guerra: boa ou ruim? A resposta imediata é: ruim - como assim, guerra boa? Todavia, a tecnologia provavelmente não teria evoluído da forma que evoluiu se não fossem as guerras, e a medicina talvez tivesse estacionado. Mas não é por isso que concluímos que as guerras devem ser estimuladas. O ser humano, pouco a pouco percebe que tem capacidade para muito mais sem precisar da guerra ou mesmo da disputa como gatilho. A evolução e o desenvolvimento material da espécie humana podem ser atingidos por outras formas, pacíficas. Agora parafraseando os espíritas o ser humano pode aprender “pelo amor ou pela dor”.

Conduzindo este pensamento para o indivíduo, concluímos que temos sim escolhas. Podemos chegar ao mesmo fim através de vários caminhos, sem precisarmos crer que os fins justificam os meios (como diria meu não tão amigo Maquiavel). Se eu quiser chegar mais rápido em casa, não preciso passar no final fechado. Basta que eu saia mais cedo.

Cada um por cada um - Escrito e publicado em 14/10/2005.

Cazuza tinha razão ao cantar “porque que a gente é assim”.

Porque dizemos não quando queremos dizer sim e vice-versa? Importamos-nos demais com a imagem que o outro tem sobre nós sem nos preocuparmos com o outro em si.

Na maioria das vezes, nosso cuidado como o próximo tem um viés egoísta. Cuidamos do outro não porque amamos. Mas porque se não cuidarmos podemos desfazer nossa imagem social, nossa máscara. Isso quando não arriscamos ter muito trabalho com a falta de cuidado.

É, ando realmente muito contundente. Mas essa contundência estava aqui guardada e anda me pedindo ardentemente para sair.

A banda Catedral tem uma música que diz “qual o sentido, de viver, o que fazer para ser feliz... é só amar, amar, cada um por cada um... é esse o sentido”.

Cabe a cada um de nós, amar. Amar o filho quando faz bagunça, os pais quando estão chatos... Mas isso é fácil, vocês devem concordar... O difícil é amar quem nos rejeita, amar quem nos odeia, amar quem age de forma desonesta ou mentirosa... A essas pessoas costumamos dirigir nosso ódio e nossa intolerância e muitas vezes a vingança. Não percebemos, que todas essas qualidades são o espelho da nossa condição humana. Cada um de nós é um pouco de cada um dos “sete pecados capitais”. Inclusive, quem os classificou em apenas sete foi extremamente generoso.

E quem age de forma diversa, perdoa ou tolera, é rotulado de trouxa pelo (como diz minha amiga Dani) senso comum.

Evidentemente que faço parênteses nessa tolerância. Quando trato da tolerância a faço andar junto com o amor. Quando falo em perdoar, não quero dizer que devemos ser masoquistas e aceitar tudo que o outro faz. Se o perdão se aliar à dor, perde seu valor e transforma-se em outros sentimentos nocivos. Muitas raivas e mágoas inexplicáveis surgem dessa repressão.

O que eu quero dizer mesmo, é que o intercâmbio entre as pessoas é fundamental para a sobrevivência da espécie humana. Assim aprendemos, evoluímos e inclusive nos reproduzimos.

Mas se o sentimento que o outro nos reserva é o desprezo, a raiva ou o ódio, não vamos retribuir na mesma moeda. A lei do talião é muito antiga. Vamos amar, perdoar e seguir em frente.

Se o amor for retribuído, melhor. Se não for, continuemos amando não só quem nos magoou como o resto do mundo, pois quanto mais damos, mais recebemos. E a maravilha disso tudo, é que quando damos de coração aberto, não esperamos ter. E quando temos, sabemos que estamos recebendo uma benção de Deus...

E como dizem os indianos, Namastê!!! (O Deus que há em mim saúda o Deus que está em vocês).

Verdade - Escrito e publicado em 13/10/2005

Achamos o máximo quando encontramos alguém devolvendo o troco que recebeu a mais em uma loja, ou a que diz que a conta do restaurante está errada - cobraram menos do que deveriam. Parabenizamos e demonstramos nossa admiração por tão rara atitude.

O erro está no fato de que tais atitudes não são mais do que obrigação de cada um de nós. Agir de outra forma, nestas pequenas situações na vida, é tão grave quanto as estripulias milionárias dos parlamentares, pois são pequenas corrupções.

Neste ponto, Nietzche, em que pese sua visão um pouco depressiva, tinha toda a razão ao dizer “não procuro ser feliz, apenas verdadeiro”. Mas talvez nem ele tenha percebido, o quanto a verdade é o caminho para a felicidade. Se o relacionamento entre duas pessoas, sejam amantes ou amigos for pautado pela verdade, desaparecem as desconfianças, as cautelas e as palavras dúbias. É muito mais fácil viver tendo a verdade como parceira. Basta só que a humanidade perceba isso.

Desarmamento - Escrito e publicado em 10/10/2005

Antes de mais nada, quero deixar claro meu posicionamento quanto às armas. Sou uma pacifista por princípio e filosofia que não mataria um ser humano em hipótese alguma, seja legítima defesa minha ou dos meus. Viver com a carga de matar vai além da minha capacidade. Além do que, sei que não é o caminho.

Mas vamos ao ponto. Sabe a que conclusão cheguei quanto ao referendo do desamamento?

Não passa de um engodo, que na realidade, não vai mudar muita coisa, vença o sim ou vença o não.

Preste atenção na pergunta que será feita no referendo:

"O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”

Portanto, só que vai ser proibido, é a comercialização das armas de fogo e munição.

O Estatuto do Desarmamento é a Lei 10.826, de 22/12/2003, regulamentado pelo Decreto 5.123/04. No art. 6º da Lei, já existe a previsão de quem pode e quem não pode portar arma de fogo. E o cidadão comum não pode portar arma de fogo desde 2003. Os autorizados a ter porte de arma são pessoas que a utilizam para trabalhar ou sobreviver, e repito, dentre eles não está o cidadão comum que pretende proteger sua família. E é importante salientar, que quem quiser ou já tiver porte de arma vai poder continuar com ele.

Então que papo é esse de "tirar direito"? Quem tem condições legais de, atualmente, portar uma arma de fogo vai continuar com seu direito só terá que comprá-la no exterior.

Conclui-se assim, como em tudo neste país, que o fundamento é o $$$. A única grande prejudicada pelo desamamento é a Taurus, indústria de armas nacional.

E provavelmente, as grandes beneficiadas serão as multinacionais fabricantes de armas.

Essa história de que "o bandido vai ter certeza de que naquela casa não tem armas porque o sim venceu no referendo" não faz nenhum sentido. Ele na realidade já tem esta certeza agora.

O argumento relativo ao totalitarismo histórico adotado pelos países previamente desarmados acende as discussões. Ei, cara pálida, que desarmamento?

Além disso, me poupe. O Lula tá quase enfartando e por mais que admire seu amigo Fidel, não tem o controle total e absoluto das forças armadas para uma revolução. As FA querem vê-lo pelas costas assim como o resto da população.

Ambas as campanhas estão sendo feitas sem abordar o cerne da questão: qual o efeito prático do referendo? A própria reportagem publicada pela Veja desta semana se contradiz, pois assim como questiona a pergunta formulada, firma seus argumentos para votar não levando em consideração a premissa de que se o "não" ganhar, todo mundo vai poder andar armado...

Da forma como foi feita a pergunta, não sou nem contra nem a favor, muito pelo contrário...

Mas, como já disse, por princípio, e pensando que se apenas uma pessoa deixar de morrer pelo fato de que quem pode portar uma arma de fogo não terá mais tanta facilidade em comprá-la daqui por diante, voto SIM.

Terça-feira, Abril 25, 2006

Diários e Blogs - Escrito e publicado em 09/10/2005

Gostei desse negócio de blog. Perde um pouco o mistério, mas deixa o mundo mais transparente.

Na minha pré-adolescência, tinhamos diários. Mas naquela época, os diários tinham cadeados. Qualquer um podia arrebentá-los, mas davam uma segurança extrema à proprietária! A chave era sempre guardada nos lugares mais inusitados, para que ninguém a encontrasse.

Eu tinha amigas que se restringiam a dizer o que fizeram no dia, tipo: acordei, tomei café, escovei os dentes, etc...

Meus diários em primeiro lugar não eram diários. Escrevia apenas quando atravessava por momentos críticos na vida, ou quando estava tomada por grandes emoções - o que evidentemente para os adolescentes é comum.

Com as experiências da vida, o ser humano - e agora não me restrinjo apenas à mim - se preserva mais da emoção. A pobre coitada fica engessada pelo medo. Medo do que vão pensar, medo de se expor, medo de sentir, medo da rejeição... E quando vê, está cercado por muros imaginários, vivendo uma rotina enfadonha que considera seu mundo.

Mas o fato é que basta um passo adiante para que saiamos dos limites do muro e passemos a viver com mais intensidade.

É evidente que a devemos nos preservar, mas será que para tanto precisamos restringir o viver e o sentir em fronteiras tão definidas?