quarta-feira, abril 26, 2006

Desarmamento - Escrito e publicado em 10/10/2005

Antes de mais nada, quero deixar claro meu posicionamento quanto às armas. Sou uma pacifista por princípio e filosofia que não mataria um ser humano em hipótese alguma, seja legítima defesa minha ou dos meus. Viver com a carga de matar vai além da minha capacidade. Além do que, sei que não é o caminho.

Mas vamos ao ponto. Sabe a que conclusão cheguei quanto ao referendo do desamamento?

Não passa de um engodo, que na realidade, não vai mudar muita coisa, vença o sim ou vença o não.

Preste atenção na pergunta que será feita no referendo:

"O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”

Portanto, só que vai ser proibido, é a comercialização das armas de fogo e munição.

O Estatuto do Desarmamento é a Lei 10.826, de 22/12/2003, regulamentado pelo Decreto 5.123/04. No art. 6º da Lei, já existe a previsão de quem pode e quem não pode portar arma de fogo. E o cidadão comum não pode portar arma de fogo desde 2003. Os autorizados a ter porte de arma são pessoas que a utilizam para trabalhar ou sobreviver, e repito, dentre eles não está o cidadão comum que pretende proteger sua família. E é importante salientar, que quem quiser ou já tiver porte de arma vai poder continuar com ele.

Então que papo é esse de "tirar direito"? Quem tem condições legais de, atualmente, portar uma arma de fogo vai continuar com seu direito só terá que comprá-la no exterior.

Conclui-se assim, como em tudo neste país, que o fundamento é o $$$. A única grande prejudicada pelo desamamento é a Taurus, indústria de armas nacional.

E provavelmente, as grandes beneficiadas serão as multinacionais fabricantes de armas.

Essa história de que "o bandido vai ter certeza de que naquela casa não tem armas porque o sim venceu no referendo" não faz nenhum sentido. Ele na realidade já tem esta certeza agora.

O argumento relativo ao totalitarismo histórico adotado pelos países previamente desarmados acende as discussões. Ei, cara pálida, que desarmamento?

Além disso, me poupe. O Lula tá quase enfartando e por mais que admire seu amigo Fidel, não tem o controle total e absoluto das forças armadas para uma revolução. As FA querem vê-lo pelas costas assim como o resto da população.

Ambas as campanhas estão sendo feitas sem abordar o cerne da questão: qual o efeito prático do referendo? A própria reportagem publicada pela Veja desta semana se contradiz, pois assim como questiona a pergunta formulada, firma seus argumentos para votar não levando em consideração a premissa de que se o "não" ganhar, todo mundo vai poder andar armado...

Da forma como foi feita a pergunta, não sou nem contra nem a favor, muito pelo contrário...

Mas, como já disse, por princípio, e pensando que se apenas uma pessoa deixar de morrer pelo fato de que quem pode portar uma arma de fogo não terá mais tanta facilidade em comprá-la daqui por diante, voto SIM.

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