quarta-feira, abril 26, 2006

Cada um por cada um - Escrito e publicado em 14/10/2005.

Cazuza tinha razão ao cantar “porque que a gente é assim”.

Porque dizemos não quando queremos dizer sim e vice-versa? Importamos-nos demais com a imagem que o outro tem sobre nós sem nos preocuparmos com o outro em si.

Na maioria das vezes, nosso cuidado como o próximo tem um viés egoísta. Cuidamos do outro não porque amamos. Mas porque se não cuidarmos podemos desfazer nossa imagem social, nossa máscara. Isso quando não arriscamos ter muito trabalho com a falta de cuidado.

É, ando realmente muito contundente. Mas essa contundência estava aqui guardada e anda me pedindo ardentemente para sair.

A banda Catedral tem uma música que diz “qual o sentido, de viver, o que fazer para ser feliz... é só amar, amar, cada um por cada um... é esse o sentido”.

Cabe a cada um de nós, amar. Amar o filho quando faz bagunça, os pais quando estão chatos... Mas isso é fácil, vocês devem concordar... O difícil é amar quem nos rejeita, amar quem nos odeia, amar quem age de forma desonesta ou mentirosa... A essas pessoas costumamos dirigir nosso ódio e nossa intolerância e muitas vezes a vingança. Não percebemos, que todas essas qualidades são o espelho da nossa condição humana. Cada um de nós é um pouco de cada um dos “sete pecados capitais”. Inclusive, quem os classificou em apenas sete foi extremamente generoso.

E quem age de forma diversa, perdoa ou tolera, é rotulado de trouxa pelo (como diz minha amiga Dani) senso comum.

Evidentemente que faço parênteses nessa tolerância. Quando trato da tolerância a faço andar junto com o amor. Quando falo em perdoar, não quero dizer que devemos ser masoquistas e aceitar tudo que o outro faz. Se o perdão se aliar à dor, perde seu valor e transforma-se em outros sentimentos nocivos. Muitas raivas e mágoas inexplicáveis surgem dessa repressão.

O que eu quero dizer mesmo, é que o intercâmbio entre as pessoas é fundamental para a sobrevivência da espécie humana. Assim aprendemos, evoluímos e inclusive nos reproduzimos.

Mas se o sentimento que o outro nos reserva é o desprezo, a raiva ou o ódio, não vamos retribuir na mesma moeda. A lei do talião é muito antiga. Vamos amar, perdoar e seguir em frente.

Se o amor for retribuído, melhor. Se não for, continuemos amando não só quem nos magoou como o resto do mundo, pois quanto mais damos, mais recebemos. E a maravilha disso tudo, é que quando damos de coração aberto, não esperamos ter. E quando temos, sabemos que estamos recebendo uma benção de Deus...

E como dizem os indianos, Namastê!!! (O Deus que há em mim saúda o Deus que está em vocês).

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