Pois é. Sentei para escrever e pensei: será que vou racionalizar sobre a ética?
Não. Gosto da idéia do mundo movido pelas emoções. Mas emoção sem ética existe? Claro! Mas presta? Depende. A resposta preferida dos filósofos.
Pois é. Será que amar o próximo é exigir dele que viva em função dos meus desejos? Agir assim vai construir alguma coisa? Vai, sem dúvida! Um escravo ou um marionete.
Ninguém nasceu para ser manipulado por outro ser vivente. A menos que um queira manipular e o outro queira ser manipulado. Cada um com sua patologia...
Mas o ser humano inteiro não manipula. Simplesmente é, independentemente do que o outro pensa.
O ser humano inteiro, não precisa da aprovação de seus pares. Basta que, como disse Aveline (*), busque aconselhamento em seu coração, sua alma imortal. Os caminhos por ela ditados poderão ser trilhados sem o assalto da dúvida.
Está tudo muito bonitinho. Mas Aveline, que negócio é esse de “caminho do guerreiro”? Para sermos leais com a verdade e com o bem, e coerentemente éticos em nossas atitudes tem receita? Hum... Sete passos...
Já empaca no primeiro. Coragem. E o que fazemos com os medos não admitidos nem para nós mesmos? Levamos um papo com eles e explicamos que não têm razão de ser? Tá, mas e o medo de eles não nos escutarem?
Aí, não satisfeito com a coragem, vem com essa história de aceitar as derrotas. Mas como eu, ser superior e evidentemente perfeito posso admitir ser derrotado? Posso é? Ah... Bom... E não posso me deprimir pela imensa injustiça do universo que “me” deu uma rasteira. Esse negócio está ficando difícil. Carma? Ah, conta outra! Desde quando minhas atitudes tem conseqüências? Não, de forma alguma. Só o suposto mal que os outros fazem a mim é injusto.
Escuta aqui. Como assim tenho que ter consciência da minha mortalidade e aproveitar as oportunidades que surgem na minha frente? Uma hora me dizem que sou imortal e na outra falam que vou morrer rapidinho. Assim como em um momento acredito que aquela mosquinha voando no teto é apenas uma mosquinha voando no teto, no outro meu irmão a enxerga como um exemplo de vida... Esse pessoal não decide e vem com a história de que há verdade em todas as afirmações. Eu podia questionar o que é verdade... Mas daí a iríamos longe demais, em que pese este também ser um conceito extremamente relativo.
Aqui pega no calcanhar de aquiles. Como não vou me expor demasiadamente, se os holofotes do mundo voltados para mim são simplesmente ma-ra-vi-lho-sos? Posso até dizer que não me importo, mas no fundo, bem no fundo, quando eles me iluminam, me sinto mais feliz. Só vale aqui avaliar que felicidade é esta. De dentro para fora ou de fora para dentro?
O quinto requisito: aquietar-se. Mas e o mundo? E a vida? E meus compromissos? Basta perguntar se tudo isto é realmente a vida. E para variar, o paradoxo se estabelece.
O propósito da busca da verdade claro e firme na consciência durante todos os momentos. E o que é que eu faço se meu filho chorar porque caiu no chão e ralou o joelho? Explico para ele que joelhos em contato como asfalto normalmente ralam, especialmente se associados ao descuito do proprietário do joelho, ou lhe dou um abraço, assopro e digo que vai passar? Tá, entendi. Deve ter um meio termo. Os budistas que o digam!
O último passo do guerreiro! Evitar fazer movimentos inúteis. Tudo bem, não vou perguntar o conceito de inútil (rs). Mas o que a gente faz com as emoções? Com a passionalidade humana, com a raiva, com o ódio e com aquele amor torto e apegado? Estes sentimentos em muitos momentos nos levam a fazer o que nossa consciência não aprova mas os sentidos desejam, atos que em CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão) deixaríamos de lado por contrariarem nossos princípios.
Pois é. Nenhum de nós, encarnadinho aqui na terra, é lá muito santo e tenho certeza que em algum momento da vida já pensou ou talvez até pense desta forma ao ler cada passo do Guerreiro.
Mas o foco deve se manter no que podemos alcançar, no que é realizável em nosso pequeno império pessoal. Se mantivemos a atenção no que não podemos fazer, conhecer os passos que devem ser seguidos não terá tenhuma serventia.
Diversos dos nossos companheiros de humanidade - fato que também não é lenda, pois os conheço e aprendo com eles - seguem este caminho e se saem muito bem. No mínimo muito melhores que eram no início da caminhada.
E se caímos de para-quedas aqui, no planeta terra e no ocidente, onde a possibilidade de iluminação observando uma árvore se esvai muito facilmente - embora não seja impossível, com certeza temos muito a aprender neste exato local.
Lembrando da corda do violino (afinal, não lembro o nome do instrumento original citado na parábola), não podemos nem esticar nem afrouxar muito a corda da vida, caso contrário, ou ela arrebenta ou não emite som algum.
A manutenção do equilíbrio em todas esferas da vida é fundamental para que possamos ser Guerreiros coerentes que estabelecem metas razoáveis pautadas em ideais saudáveis e evidentemente, éticos.
Precisamos de menos palavras e mais atitudes conscientes.
Precisamos...
Olhem, eu ia emendar uma porção de precisamos politicamente corretos.
Mas querem saber? Precisamos descobrir do que realmente precisamos... Já é um bom começo.
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