Vários de nós, nestes tristes dias de chacina, recebemos este texto.
INSTRUAM SEUS FILHOS... A menina que você chama de gorda, passa dias sem comer para perder peso. O menino que você chama de burro, quem sabe tenha problemas de aprendizagem. A menina que você acabou de chamar de feia passa horas arrumando-se para que pessoas como você a aceitem. O menino que você provoca e goza na escola, pode receber maus tratos em casa e você só estará contribuindo para destruir sua auto-estima. Se você é contra o BULLYING (violência psicológica) e quiser… Compartilhe!
Desde que recebi pela primeira vez, quis repassá-lo. Mas como não consigo deixar de fazer, o li realmente com vontade e percebi que só ele não me bastava, precisava dizer mais.
Na reportagem do Fantástico, onde entrevistaram os colegas de sala do garoto que cometeu os homicídios, (sim gente, também era um garoto, independentemente da mente doente que tinha), eles não tiveram nenhum problema em admitir que, se não enfiaram pessoalmente a cabeça do menino na privada e deram descarga, viram e riram junto com quem agia. E a reflexão de um deles foi clara:
Ícaro Benício, estudante: Eu acho até que a gente tem uma parcela de culpa, às vezes, por ter ridicularizado ele.
Josemar Teles, vendedor: Não culpa no que ele fez. O que ele fez não tem explicação. Tudo que aconteceu na vida dele não justifica.
Ícaro Benício, estudante: Mas tem uma culpa desse passado dele.
Fonte: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1658408-15605,00EM+NOVA+CARTA+ATIRADOR+TENTA+USAR+BULLYING+PARA+JUSTIFICAR+MASSACRE.html
OK, nada justifica a atitude do moço, tenham certeza que o que estou tentando dizer não pretente de forma alguma autorizar um assediado a sair por aí atirando em quem lhes fez mal, mas vamos colocar os pingos nos is. O Ícaro percebeu sua parcela de participação no que Wellington se criou, mesmo não tendo culpa (afinal isso não é caça às bruxas) no desfecho dos fatos.
Por mais que o Wellington tivesse esquizofrenia, como tentam “aliviar” (não entendo bem porque) os psiquiatras e médicos consultados, ter a cabeça enfiada na privada não é exatamente um delírio, é?
Ser molestado, tocado e ridicularizado na escola do 5º ao 8º ano não foi invencionice da cabeça do assassino, foi? Isso que não temos a menor idéia do que acontecia naquela família, quais os segredos de família eram guardados entre eles e que construiram sua personalidade, o quanto Wellington não era “o filho da maluca”, afinal, a mãe também era doente.
Estes fatores não justificam mas constrói SIM a atitude e a mente criminosa.
O Bullying continua sendo um assunto do qual a maioria das escolas não fala e reduz a problemas de relacionamento pontuais, principalmente porque a atitude dos filhos é copiada dos pais. O pai que xinga o garçom, a mãe que briga com a empregada doméstica, os pais que comentam/julgam entre si e na frente dos filhos sem nenhum problema o quanto a amiga do casal está gorda e como isso é horroroso, ou como o colega do pai é tapado ou ridículo, estão construindo um filho assediador. E para ele a atitude não tem nada de errado, simplesmente porque foi o que lhe ensinaram. Que quem é burro, gordo, feio, esquisito, tímido, gay deve mesmo ser ridicularizado. Se os pais podem porque os filhos não podem? Aí que que está. Os pais não podem não.
É um problema que não pode ser solucionado pelo Estado, de cima para baixo, depende de uma mudança de consciência global/individual (o que vem primeiro, o ovo ou a galinha) e de percepção que o estranho, o feio, o gordo, o diferente, sentem igualzinho ao suposto normal. Eu sei que a frase é um clichê, mas muitas vezes clichês também são sábios. Se são tão repetidos, vale a pena prestar atenção, nem que seja para discordar.
Claro que a participação do poder público em campanhas e outros métodos que dêem visibilidade ao problema é fundamental, mas a mudança antes de tudo é de comportamento social e de reconhecimento do outro como um igual.
Nós vivemos em uma sociedade que discrimina, de forma velada ou não, o diferente e que, se não propicia que mentes doentes capazes de matar como no caso de Wellington, cria adultos vitimizados, que vão se sentir injustiçados pelo resto da vida só porque eram diferentes.
A maior prova disso, foi o rótulo imediato das próprias autoridades policiais que trataram o caso, assim que descobriram a primeira carta na escola, como um crime terrorista de um muçulmano, só porque o texto falava em puro, impuro e virgem... Vocês têm alguma dúvida de que os filhos de famílias muçulmanas Brasil afora não estão sofrendo com o bullying? Afinal, a polícia quem disse NA TV que muçulmano é assassino. Isso me lembra de dizer a cada um que fala algo nos meios de comunicação para pensar antes de falar.
Portanto, a doença, como também já li entre diversos blogueiros por aí e concordo, não é só do Wellington. É social. E consequentemente, é de todos nós, que em algum momento agimos de forma preconceituosa como se fosse "normal".
Um comentário:
Sábias palavras da minha amiga Anelise. Concordo plenamente, temos um problema social. A Educação começa em casa, precisamos passar valores para as crianças.
Educar é ter atitude é dar bons exemplos, participar da vida de nossos filhos.
Postar um comentário