Domingo, Maio 21, 2006

Serra do Luar.

Semana passada assisti à palestra do físico quântico Harbans Arora, aqui em Florianópolis. Ele apresentou o documentário "What the bleep we know", traduzido em português para "Quem Somos Nós?". Eu já havia assistido, mas ainda assim valeu a pena, pois elucidou alguns dos pontos mais complexos de uma forma muito leve, pois trata-se de uma consciência alegre e espirituosa. Mas além das sábias palavras acerca do conteúdo do documentário, achei interessante ele evocar uma música de Walter Franco (que citei no post anterior) interpretada por Leila Pinheiro chamada "Serra do Luar" - que eu particularmente não conhecia - e salientar que é a música mais "quântica" que ele conhece.
Vou transcrevê-la pois evidente que assim que cheguei em casa fui procurá-la e descobri que realmente é carregada de uma sabedoria simples - como toda a sabedoria, diga-se de passagem.


"Amor, vim te buscar, em pensamento,
Cheguei agora, no vento,
Amor não chora, de sofrimento,
Cheguei agora, no vento.

Eu só voltei, para te contar,
Viajei, fui pra serra do luar.
Eu mergulhei, eu quis voar,
Agora vem, vem pra terra descansar.

Viver é afinar o instrumento,
De dentro para fora, de fora para dentro.
A toda a hora, a todo momento,
De dentro pra fora, de fora pra dentro.

Tudo é uma questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranqüilo..."


E não é que é quântico mesmo???


Segunda-feira, Maio 15, 2006

Possibilidades.

Pouco a pouco, perco o medo e abro o peito.
De pé em pé, trago som ao meu silêncio.

Respiro livremente e abraço sorrisos.
Escolho os passos que dou e esqueço os que não dou,
Não me preocupo com o alheio...
Permito que a luz de minha visão divina ilumine o caminho,
E dou a Deus minhas mãos.
Minhas palavras são claras e o semblante firme,
Consciente de que minhas certezas são apenas possibilidades,
E de que as possibilidades são infinitas...
Tudo é uma questão de manter
"a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo..." *


* Citando Walte Franco.

Terça-feira, Maio 02, 2006

Elos.


Andando pelas ruas, num dia comum de trabalho, não são poucas as vezes que penso: “o que todo esse povo está fazendo por aqui?”. Sinto-me igual e ao mesmo tempo diferente de todos, como se um elo invisível me unisse a cada ser humano, mas, ainda que unidos, estivéssemos distantes. Neste ponto, transmuto a faixa entre o eu e o nós e percebo que ninguém está excluído, mesmo acreditando que está.

Essa unidade não pode ser ensinada. Como a grande maioria das coisas na vida, só pode ser sentida. Olho para as pessoas que passam nas calçadas, consciente de que eu e elas somos unos, provenientes da mesma base, com os mesmos sentidos e emoções. O sentimento de unidade por si só me inclui no mundo e me deixa feliz sem que precise buscar motivos. Percebo que tudo, na essência, tem a mesma constituição e apenas vibra de maneiras diferentes. Não só nós, seres humanos. O ar, a terra, seres vivos e inanimados.

Vendo o mundo desta forma, a compaixão brota de maneira espontânea e a realidade da vida não choca tanto.

Não significa vamos virar bobos alegres e achar que tudo vai sair exatamente como imaginamos e que a paz mundial vai se instalar de imediato em todos os continentes. Não vai ser assim. Mas o senso comum que temos do suposto “errado” muda, pois percebemos que não existe certo ou errado. A dualidade desaparece e os problemas da vida não nos abalam da forma como costumavam, ainda que continuem existindo.

A vida permanece com todas as vicissitudes ainda que tenhamos a consciência da unidade. E sem dúvida não nos iluminamos instantaneamente, ascendendo ao nirvana com esta consciência... Mas é possível viver melhor, sofrer menos e ser mais feliz, ainda que Schopenhauer, de braços dados com Nietsche (só de sacanagem), surja de vez em quando em nossos sonhos para mostrar que o mundo é triste as pessoas são fracas. Neste caso pedimos ajuda a Einstein quando acordarmos e, conscientemente, explicamos a eles que não é bem assim, mas também pode ser. Depende do referencial...

Se eu consigo ser assim o tempo todo? Claro que não, mas de vez em quando rola! Se conseguisse talvez estivesse tocando harpa com os anjinhos no Jardim do Éden! Tá aí, acho que ia gostar de tocar harpa.