
Andando pelas ruas, num dia comum de trabalho, não são poucas as vezes que penso: “o que todo esse povo está fazendo por aqui?”. Sinto-me igual e ao mesmo tempo diferente de todos, como se um elo invisível me unisse a cada ser humano, mas, ainda que unidos, estivéssemos distantes. Neste ponto, transmuto a faixa entre o eu e o nós e percebo que ninguém está excluído, mesmo acreditando que está.
Essa unidade não pode ser ensinada. Como a grande maioria das coisas na vida, só pode ser sentida. Olho para as pessoas que passam nas calçadas, consciente de que eu e elas somos unos, provenientes da mesma base, com os mesmos sentidos e emoções. O sentimento de unidade por si só me inclui no mundo e me deixa feliz sem que precise buscar motivos. Percebo que tudo, na essência, tem a mesma constituição e apenas vibra de maneiras diferentes. Não só nós, seres humanos. O ar, a terra, seres vivos e inanimados.
Vendo o mundo desta forma, a compaixão brota de maneira espontânea e a realidade da vida não choca tanto.
Não significa vamos virar bobos alegres e achar que tudo vai sair exatamente como imaginamos e que a paz mundial vai se instalar de imediato em todos os continentes. Não vai ser assim. Mas o senso comum que temos do suposto “errado” muda, pois percebemos que não existe certo ou errado. A dualidade desaparece e os problemas da vida não nos abalam da forma como costumavam, ainda que continuem existindo.
A vida permanece com todas as vicissitudes ainda que tenhamos a consciência da unidade. E sem dúvida não nos iluminamos instantaneamente, ascendendo ao nirvana com esta consciência... Mas é possível viver melhor, sofrer menos e ser mais feliz, ainda que Schopenhauer, de braços dados com Nietsche (só de sacanagem), surja de vez em quando em nossos sonhos para mostrar que o mundo é triste as pessoas são fracas. Neste caso pedimos ajuda a Einstein quando acordarmos e, conscientemente, explicamos a eles que não é bem assim, mas também pode ser. Depende do referencial...
Se eu consigo ser assim o tempo todo? Claro que não, mas de vez em quando rola! Se conseguisse talvez estivesse tocando harpa com os anjinhos no Jardim do Éden! Tá aí, acho que ia gostar de tocar harpa.
Um comentário:
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