quarta-feira, abril 26, 2006

Amores descartáveis. - Escrito e publicado em 08/02/2006.

Sabem, me considero uma pessoa de sorte. Já amei e já fui amada por meus parceiros.

Quando falo de amor o conceituo, evidentemente, pelos meus parâmetros. Vai além, muito além do sexo. Meu amor vem embalado pela amizade, cumplicidade e companheirismo e atado por um laço invisível que lança fagulhas minúsculas de entendimento mútuo e imediato com um simples olhar, que ninguém explica, só sente. Bem, talvez eu esteja falando de telepatia (rs). É quase isso.

Muitos de vocês vão dizer que minha visão de amor aproxima-se à dos contos de fada. Mas percebam que os requisitos “felizes para sempre” e “mocinho e mocinha impecáveis” não estão presentes...

Observando o mundo em que nos colocaram, percebo que a exteriorização do meu conceito de amor é rara, difícil. Várias pessoas que conheço nunca provaram dessa fagulha, talvez por não encontrarem, talvez por não se permitirem.

Só que esta busca não pode ser determinante para o abandono – ou não, pois só abandonamos o que já tivemos – dos princípios éticos e até morais – é, a moralidade está voltando à moda. Esta busca incessante do amor produz sentimentos imediatos e descartáveis e em conseqüência, pessoas descartáveis. A sensação é experimentada superficialmente e sem envolvimento, quase como a degustação de vinhos, quando não ingerimos o líquido pois temos muitas vinícolas a conhecer e safras diferentes a provar.

Os relacionamentos são efêmeros porque os solteiros que já sofreram têm “medo de se envolver” – não sei se isso virou mantra ou escudo. Os que não sofreram esperam que algo miraculoso aconteça e o amor da sua vida caia do céu.

O casamento com a pessoa que teoricamente você escolheu para compartilhar a vida, é desfeito de forma rápida, afinal trás mais responsabilidades do que prazeres.

Não pretendo aqui ser careta ou pregar que escolhemos uma vez e devemos levar as palavras “até que a morte os separe” ao pé da letra. Mesmo porque, já me separei duas vezes. Mas o fato é que a “alma gêmea”, a “pessoa perfeita” não existe. Até mesmo porque o conceito de perfeição que tenho hoje não é o mesmo que terei amanhã.

Todos temos nossas patologias, umas mais outras menos sérias, e cabe a cada um de nós desenvolver a aceitação da patologia alheia, tornando a convivência possível. E vice versa. É uma via de mão dupla.

O bom e velho auto conhecimento é fundamental para descobrirmos o que é e o que não é aceitável no outro, sem extremos. Afinal, existem muitas características que não nos agradam mas são aceitáveis. Outras, são definitivamente insuportáveis e nos fazem mal. Fugir do relacionamento quando nos deparamos com as primeiras só faz com que corramos para outra fuga, sem percebermos que o “problema” do relacionamento é nossa própria auto-estima. Sair do relacionamento quando percebemos que as segundas estão presentes é sabedoria.

Finalmente, o respeito é imprescindível em relação a todas as partes envolvidas. Inclusive “terceiros de boa fé” - maridos e esposas que desconhecem as necessidades de experimentação de seus parceiros. A transparência é sempre a companheira ideal do respeito e, ausente da relação, irremediavelmente vai dar origem a um relacionamento mal resolvido e provavelmente à uma doença psicossomática... Como, teoricamente, não queremos adoecer, sejamos verdadeiros! Conosco e com o próximo, esteja ele próximo ou não...

2 comentários:

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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