Segunda-feira, Março 02, 2009

Pé na Estrada

Pois então. Enfiei o pé na estrada nestas férias. Fui provar o tão alardeado gosto de viajar compulsivamente e resolvi exagerar e conhecer quase tudo que eu tinha vontade de conhecer nos Estados Unidos. Fui em família para a Califórnia, com amigos à Las Vegas e Grand Canyon e sozinha em Nova York. Califórnia em dezembro e janeiro e o restante no carnaval.
Evidente que se aprende, e muito, ainda que falemos de um país como os EUA. Os americanos foram bem mais adestrados pelos ingleses que nós pelos portugueses e aprenderam a respeitar – e principalmente se distanciar – do próximo à duras penas. Depois de muitos processos de indenização milionários que movem e enriquecem os cidadãos eles não viram outro jeito senão andar na linha. Só que este andar da linha criou uma nação de sorrisos. Todo mundo sorri e trata o outro de honey e darling, dentre outros adjetivos hiperbólicos... Mas não encosta não!!! Nem nos cães (logo eu que já vou com aquela mão boba esticada para fazer carinho nos peludos) se podia encostar porque a cara feia dos donos era assustadora. Muito pior era com as crianças. Elas mesmas não se importavam em ser tocadas, mas os pais as arrancavam do caminho – ainda que eu não tenha nem tentado, vi outros incautos brasileiros tentarem.
Mas não é disso que eu queria falar, afinal, cada país tem sua cultura e forma de encarar o mundo e não podemos dizer quem está certo ou errado. Como já disse, bem ou mal, sempre aprendemos e encontramos o que pensar em uma viagem, seja para os EUA ou para Biguaçu.
Só que em toda esta “hiperatividade turística” acabamos cumprindo o roteiro externo e deixando de lado o roteiro interno. É meio aquela coisa de para fora e para dentro – sem sacanagem (rs). Viajando, com todo aquele estímulo visual e sensorial do novo, a tendência é que tornemos a buscar a alegria e a felicidade dos estímulos externos, esquecendo que isso só encontramos em casa mesmo. E esta casa é o nosso Ser, o que nós realmente somos. Claro que ao iniciar a viagem, tinha esta consciência e me propus a não esquecê-la. Mas sabem, somos adestrados desde pequeninos a valorizar e buscar os estímulos externos e a partir do momento em que durante a viagem esta memória é estimulada, esquecemos todos os ensinamentos relativos ao “caminho da felicidade e da inteireza” e mergulhamos de cabeça em tudo que temos para ver e sentir. Quer dizer, comigo pelo menos foi assim, mas acredito que encontre eco no sentimento de mais gente.O resultado é que no final da segunda viagem, senti aquela sensação de “Puxa, está faltando alguma coisa.” Qual não foi a minha surpresa ao perceber que quem faltava era eu mesma! Eu tinha visto tanta coisa nova, tanta coisa diferente, computado tanta informação racional, que esqueci de lembrar de me buscar e de perguntar como aquilo tudo estava refletindo em mim. É aquela outra máxima Crística: “Orai e vigiai”. No estímulo, não fiz nenhum dos dois. Nem orei – mesmo conhecendo igrejas lindíssimas – nem vigiei a mim mesma, meus pensamentos e sentimentos diante de toda aquela informação, achando provavelmente que estava de férias disto também. Aí está o aprendizado mais importante de toda esta andança... De autoconhecimento não se tira férias.