Segunda-feira, Março 31, 2008

Picuinhas.

Nenhum de nós está isento de sentir raiva. Não é dos sentimentos mais nobres mas brota fácil, e negá-la não resolve. Uma vez alguém disse que raiva ou vira doença ou vira karma, ou seja, se negamos fingindo que está tudo bem ficamos doentes com nosso próprio veneno. Se externamos, semeamos atitudes que em algum momento retornarão, como bolas de tênis num paredão. Sinuca de bico, não?
Diz a lenda, que o ideal é refrear o impulso imediato de externar a raiva através de atitudes impensadas, de forma que possamos avaliar o sentimento sem que o coração esteja disparado predispondo-nos a lutar ou fugir. Não negar, mas perceber a existência do sentimento e questionar sua validade e profundidade. Depois, mais calmos, conversamos com tranqüilidade e tato com o “agente” causador da raiva para solucionar a situação.
Pessoalmente, quando escolho este caminho, chego a duas conclusões: ou a situação não era tão grave como eu havia pintado e que inclusive enganei-me em algum julgamento, ou que a pessoa com quem se estabeleceu o atrito é mesmo cretina e não vai mudar em virtude dos meus belos olhos. Percebem que em ambos os casos, a raiva é uma enorme perda de tempo? No primeiro caso, perdemos tempo e energia julgando o outro e produzindo mais e mais raiva, afinal, as ondas de sentimento atingem não só o objeto como o emissor, para depois perceber que não era nada do que imaginávamos. No segundo caso, malhamos ferro frio.
A raiva guardada vira ressentimento, porque como ela está lá, reservada como bem precioso em nossos escaninhos cerebrais, de vez em quando damos uma cutucada nela para “re-sentirmos” sua presença. E diz outra lenda, que o ressentimento é o veneno que tomamos esperando que o outro morra...
Do ressentimento, nasce o círculo do ódio, substituindo o ideal que deveria ser o círculo do amor.
No ambiente de trabalho, onde pessoas - que na maioria das vezes são muito diferentes - convivem obrigatoriamente sob o mesmo teto, o ressentimento impera. É bem básico: Fulano acha que Beltrano não trabalha e o persegue ou demite. Beltrano dá a volta por cima e persegue Fulano assim que consegue. Em contrapartida, metade da repartição está apoiando Fulano e a outra metade apoia Beltrano. E a lambança está feita, porque enquanto todo mundo estiver ressentindo situações pessoais nas quais às vezes nem estão envolvidas desperdiça a possibilidade da união.No ponto em que estamos na evolução do planeta, precisamos interromper este círculo vicioso. A palavra chave agora é cooperação. Se não cooperarmos com nossos familiares, nossos amigos, inimigos (sim, com os inimigos também, nem que seja aceitando que eles são assim e saindo de seu caminho seguindo o nosso) e colegas de trabalho não vamos conseguir modificar nossa forma de pensar. E como o pensamento constrói, juntos construímos o planeta que temos, que honestamente não está lá isso tudo, certo? “Tá”, você me diz, “de que adianta eu mudar sozinho? Se ninguém mais muda quem se ferra sou eu.” Faça o seguinte. Experimente ou pelo menos tente experimentar. Depois me conta.