Quando a vi no palco, falando de stress e crianças, chorei. Na verdade sua presença, por si só, já me emocionava, pois parecia que ouvindo suas palavras eu vislumbrava um pequeno pedaço da Minha Verdade.
Daquele dia em diante, escolhi conhecer seu trabalho e ensinamentos. Em janeiro de 2007 fui ao Parque Ecológico Visão Futuro para participar do curso de Biopsicologia I, ministrado por ela.
O que aprendi lá guiou meus passos ao longo deste ano e tenho certeza que esta guiança tem me levado pelos melhores caminhos.
Mas na verdade o ensinamento maior que obtive veio, como acontece na maioria das vezes, do exemplo.
Sabem, a Didi é, aos olhos da terra, uma senhora de imensa sabedoria e certa idade. Passou por poucas e boas pela vida até portar toda a “notoriedade” de que se reveste hoje. Os títulos são muitos e estão todos na internet, é só pesquisar. Todavia, notória ou não, optou pela vida simples que leva na Ecovila.
Durante a semana que durou o curso, em momento algum deixava de partilhar da companhia dos 89 aprendizes que lá estavam. Fazia ioga e caminhava – descalça, diga-se de passagem – conosco. Passava por todos os grupos conversando, perguntando, sempre de riso fácil e coração aberto.
E apesar da imensa e evidente sabedoria, em momento algum qualquer um de nós se sentiu “aluno” no sentido acadêmico da palavra. De forma objetiva, ela pretendia simplesmente transmitir o que sabia e estava junto. Na completa acepção da palavra – próxima, ao lado. Todos sabiam que ela era Mestra. Mas sentíamos o amor da irmã que é, que chorava, abraçava e sentia junto a nós em cada uma das fortes vivências, sem “preservar” seus sentimentos da forma como somos adestrados a fazer.
Em determinado momento que me marcou sobremaneira, a Didi, com os olhos rasos d’água, olhou nos olhos de cada um de nós e perguntou mais ou menos isso: porque será que estamos todos aqui, neste lugar, neste país e neste momento, tomando consciência de tanta coisa importante sobre nós mesmos e sobre tudo que nos cerca e em um momento tão crítico do planeta? Cada um de vocês tem uma parcela de participação em toda esta mudança. Naquele momento, a responsabilidade pelo que fiz, pelo que não fiz e pelo que vem adiante deu “aquele” cutucão na minha consciência.
Dali em diante, ficou cada vez mais claro para mim. Não temos mais espaço aqui na Terra para mestres com “m” minúsculo, o mestre “superior” que vem com a pretensão de ensinar. O momento é do Mestre que aprende enquanto ensina. Tais Mestres são realmente mais sábios que a maioria de nós, mas não sobem ao púlpito para discursar. Permanecem ao nosso lado, pisando na mesma terra e vivendo seus sentimentos, seu presente.
Cada vez mais precisamos do grupo, da união e da cooperação. E isso não vale só para os Mestres. Aplica-se a cada um de nós que escolhe palavras que desagregam em detrimento de atitudes que aglutinam.
Se uma Mestra como a Susan pode estar junto, nós também podemos descer de nossos pequenos pedestais de prepotência – tenho certeza que cada um tem o seu – e abraçar quem está do lado. Tenho convicção de que ou cooperamos por escolha, ou teremos que cooperar por imposição. Pessoalmente eu já decidi escolher cooperar.
Mais informações: www.visaofuturo.org.br
A Drª Susan Andrews é também colunista da Revista Época.