Terça-feira, Agosto 28, 2007

Sonho de um futuro bom.

Sonho sonhado em uma noite iluminada...
Existe um planeta neste vasto universo, habitado por seres que desde o início dos tempos são compostos da mesma Essência Divina, mas com aparência e sentimentos diversos. Com o passar de uma medida que eles chamaram de anos, foram encontrando subterfúgios para igualar suas desigualdades, enformando a aparência e engessando os sentimentos. Tinham a impressão que viver daquele jeito era mais fácil.
Só que muitos deles não se adaptaram àquele jeito de viver e ficaram do lado de fora da fôrma. Outros bem que tentaram, mas foram definitiva e peremptoriamente segregados do chamado mundo normal.
Daí nasceu a raça dos Esquisitos. Os Esquisitos, eram pessoas definitivamente diferentes dos Normais. Alguns, tinham barriga, outros mal tinham carne sobre os ossos. Uns tinham unha encravada. Vários outros tinham a cor da pele diferente, roncavam ou apenas vestiam as roupas coloridas que lhes faziam felizes.
Mas as características físicas eram o de menos, pois muitos Esquisitos podiam facilmente se fazer passar por Normais, afinal, existe muita beleza na normalidade. O que marcava mesmo os Esquisitos eram suas atitudes. Tinham a estranha mania de se ajudar e de ter compaixão. Cuidavam do outro, mesmo que não conhecessem e tinham imensa piedade dos Normais que outrora haviam sido seus algozes. Outrora, porque perceberam que só teriam os algozes que quisessem ter.
Os Esquisitos compreenderam que não poderiam ter todos a mesma aparência e que cada um é peculiar e nem por isso é melhor ou pior que o outro. Só é do seu jeito. Perceberam também, que um Esquisito não tinha a fórmula para fazer o outro ser melhor, e que cada um encontrava seu caminho de volta para casa. Para ajudar, bastava um sorriso ou um abraço.
Enquanto os Normais buscavam a felicidade nas coisas da vida, os Esquisitos descobriram que se seguissem o que realmente desejavam, respeitando seus sentimentos e seus companheiros de jornada, não precisavam buscar a felicidade, pois ela vinha junto no pacote do Self. Quanto mais estabeleciam seu elo consigo mesmo, mais felizes se tornavam. Quanto mais se conectavam com o Inominado, mais sublime e preciosa era a existência. Barracos viravam castelos e abóboras, carruagens.
As coisas estavam neste pé, quando em determinado momento da história, os Esquisitos, surpresos, perceberam que os Normais não podiam vê-los! Que choque! Todavia, como não necessitavam de mesuras, seguiram suas vidas, que eram devidamente re-conhecidas por seus pares, os outros Esquisitos...
Um dia, um Esquisito extremamente compassivo, percebeu que um Normal olhava assombrado em sua direção como quem vê um fantasma. Preocupado com ele, o Esquisito aproximou-se e lhe beijou a face. Imediatamente o Normal, que andava sendo repetidamente segregado pelos outros por levar sopa aos moradores de rua, passou a enxergar os Esquisitos e pensou: finalmente encontrei a minha praia! A notícia se espalhou entre os Esquisitos como rastilho de pólvora.
Só que esquisitice imposta vira normalidade, e todos sabiam disso. Assim, esperavam pacientemente o momento em que algum Normal vislumbrava espectros Esquisitos e lhes dava o beijo libertador.
Com o tempo, a prática se avultou, pois cada vez mais Normais percebiam o quanto era prazeroso ser Esquisito.
O mundo normal estava em polvorosa. A mídia alardeava: As pessoas estão sumindo!!! Na internet existiam fóruns para discussão sobre os desaparecidos e os cientistas faziam Congressos para discutir a fórmula do “reaparecimento”. Outros criavam medicamentos que prometiam a permanência eterna. Existiam CPIs para averiguar o caso e os governantes se acusavam reciprocamente de esconder exilados de seus países.
Ao mesmo tempo, a mesma mídia enlouquecida anunciava a existência do “povo invisível”. Ninguém os via, mas as coisas trocavam de lugar sem qualquer explicação! Curiosamente, como era típico dos Normais, não ligaram os desaparecimentos ao suposto povo invisível. Estabelecer elos e reconhecer sinais nunca foi especialidade dos Normais...
Neste momento, esta que vos “sonha” acordou...
O final, fica por conta da sua imaginação. Na minha, não terminou porque ainda está acontecendo. Como diz o Mestre Roberto Crema, é a fase em que a lagarta já morreu e a borboleta não nasceu.
Qualquer semelhança com a realidade, é mera coincidência...
Ou qualquer coincidência é mera semelhança...
Esquisito, né?


Sonhado em 24 de agosto de 2007, entre os dois dias do Seminário do CIT - Colégio Internacional dos Terapeutas da UNIPAZ, ministrado por Roberto Crema em Florianópolis/SC.

Domingo, Agosto 19, 2007

Franca Baleia.

Mais um dia em que o Universo me re-ensina três lições:
- Preste atenção em Meus sinais que eles vão te guiar.
- Minha abundância está sempre ao teu dispor.
- Somos Todos Um.
Nos dois primeiros casos, basta escolhermos ver e nos sentirmos merecedores da inteireza que somos capazes de sentir. No terceiro não tem escolha. É nossa essência.
Detesto ser descritiva, mas nesse caso a descrição cronológica é importante...

Era um domingo mais ou menos, com uma manhã mais ou menos, sem nenhum prenúncio de algo diferente.
Animadinha, ligo para minhas amigas para combinarmos um café, ou algo assim no final da tarde. Tudo mais ou menos alinhavado, meus pais me ligam para passearmos de lancha com outros amigos. Eu, entre a cruz e a espada, disse que não iria, pois já havia marcado o café. Como meu filho quis ir, levei-o até meus pais e, na última hora, fui com eles até a marina. Até aquele momento (meio dia mais ou menos) ninguém havia confirmado nada. Estava louca para ir, mas não queria deixar meus amigos na mão, especialmente porque não os vejo desde o meu aniversário. No meio do trajeto, liga a primeira amiga querendo saber o que faríamos. Disse que não havia conseguido combinar nada com certeza, mas que estava pensando em sair com o barco. Ela repetiu meu mantra: tá tudo bem! E neste momento decidi ir. No momento em que tomei a decisão, as outras ligaram para confirmar o café. Expliquei tudo e todas em uníssono disseram o mesmo: tá tudo bem!
Esta foi a primeira lição. “Vai”. “Eu estou sendo bem claro: vai...” Como já deixei de brigar com o Universo há muito tempo, para bom entendedor... Assim, lá fui eu passear de barco.
A primeira parte do passeio foi agradável. Dia bonito, pessoas legais, de bem com a vida, jogando conversa fora, alimentando baiacu e molhando camarão pendurado no anzol.
A segunda lição veio depois do almoço.
O dono da lancha foi contundente. Repetiu três vezes com uma convicção que poucas vezes eu vi antes: eu quero ver baleia, eu quero ver baleia, eu quero ver baleia. Brincou com o marinheiro me perguntando: Se não encontrarmos baleias eu posso demiti-lo por justa causa? Rimos um bocado e seguimos caminho para molhar o anzol em outro lugar.
Aqui vale um parênteses. Todos sabiam que esta é época de baleias no litoral de Santa Catarina e que elas estavam rondando. Não posso falar por todos, mas eu pessoalmente não acreditava que iríamos encontrar. Daí vem uma reflexão importante: e porque eu não poderia encontrar? Esta pergunta vale para qualquer projeto da vida da gente. Sempre podemos SIM.
Seguindo os fatos, afinal, esta não é apenas uma estória, rumamos da Ilha do Francês em direção à Governador Celso Ramos. A meio caminho, o marinheiro grita: olha lá a baleia!!! Dito e feito. Todos eufóricos, vimos aquele esguicho de água ao longe. O barco chegou perto e tivermos a oportunidade de vê-la de diversas formas, ângulos e momentos.
Em meio a toda aquela gritaria e depois de perceber e sentir aquela enorme presença e me emocionar com ela de diversas formas, me pus de pé em um ponto mais alto no barco e fechei os olhos, abri o coração e tranqüilizei a respiração. A gritaria pairava à minha volta com sua onda de energia. Até que os gritos silenciaram porque eu era um mamífero muito grande e estava embaixo da água... Tinha crostas na cabeça e a água me acariciava o couro. Percebi o prazer de me direcionar com as nadadeiras e o rabo funcionando como lemes e propulsores. Sabia que era muito velha, e que trazia a ancestralidade do mundo em minhas cicatrizes. E tinha consciência de que minha sabedoria me dava vontade de pegar aqueles pequenos humanos no colo e lhes contar histórias sobre a evolução do mundo. E tive certeza de que nado nesta terra há mais tempo que qualquer pessoa que estava naquele barco. Senti que era extremamente suave e cuidadosa, contrastando com meu tamanho.
Naquele momento o Ser Anelise, percebeu que podia ser baleia, peixe, água ou criança. Os átomos se fundiriam sem problemas, pois não percebem diferenças. Quem percebe as diferenças é nossa "mente que mente".
Abri os olhos cheios de lágrimas e, invadida pela doçura presente naquele imenso ser, re-senti, feliz da vida, em um daqueles “momentos de arrepio”, que somos MESMO todos um. Eu. As pessoas do barco. As baleias. A água. A terra. A Centelha Divina está em cada cantinho para qual olhamos. Ferir, magoar, desrespeitar qualquer ser vivo, humano ou não, é ferir, magoar e desrespeitar a si mesmo.
A terceira e última lição do dia, me faz lembrar que re-conhecemos esta Verdade em vários momentos ao longo da vida, que ficam marcados como especiais. Mas a grande prova é fazer com que a força desta “irmandade” nos acompanhe na vida no momento da ação.
Afinal, sempre temos escolha.

PS: Estas foram as melhores fotos que consegui, para quem estava com a máquina digital sem bateria (ninguém merece,,,). Mas prometo postar novas, provenientes da máquina dos felizes portadores de máquinas de fotografia com as baterias carregadas.

PS1: Para quem quiser saber mais sobre baleias, aí vai um site interessante:
http://www.baleiafranca.org.br/. Na Wikipédia tem bastante informações também, especialmente sobre a caça às baleias no litoral catarinense. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ca%C3%A7a_%C3%A0_baleia.

Sexta-feira, Agosto 10, 2007

Marionetes.

Porque deixamos tantas pessoas moverem nossos sonhos e conduzirem nossos movimentos? Em muitos momentos acabamos funcionando como marionetes do que os outros dizem. E sabem o que é pior? Que quem pensamos que está nos manipulando, na realidade não o faz. Nós abrimos nossas mentes e permitimos que os fios penetrem por nosso coração e conduzam nossas ações, como bibelôs bonitinhos que nossa desatenção faz com que nos tornemos.
Tudo por causa da “correria”, da “falta de tempo”. Na verdade, ser marionete da mídia, dos seus pais, dos seus amigos, dos políticos, da sociedade, etc., é muito mais cômodo, pois nos libera da responsabilidade de cuidarmos do que pensamos e falamos. É mais simples e mais justificável, fazer o que todo mundo faz.
Só que a partir do momento em que nos deixamos levar nesta maré do “todo mundo”, seguimos um fluxo que em determinado momento nos mostra que não é nosso, afinal, como diz o ditado, toda a unanimidade é burra. Temos viciados em tudo na sociedade. Adictos que seguiram uma das diversas ondas, enfronhando-se de tal forma que a percepção do que realmente querem fica embotada, junto com a identidade original. Receberam uma segunda via falsificada e adaptaram sua imagem à que aparece na foto.
E não pensem não que vício é apenas álcool e drogas. Existem viciados em comida, em sexo, em afeto, em espiritualidade, em sedução e poder, em rituais e até em seminários holísticos, sob o pretexto de estarem se descobrindo. Mas sentar em uma palestra sobre ser melhor e encarar a vida de uma forma mais saudável só é útil quando decidimos movimentar a ação no sentido do aprendizado.
Não que a estagnação não possa também ser um aprendizado. Pode sim. Só que o estagnado é essencialmente medroso. E quem tem medo funciona como se estivesse com todos os seus membros amarrados e tivesse que fugir de um trem em alta velocidade. Se não se movimentar para buscar a saída da estagnação, fatores externos aparecem e tiram o cidadão de seu suposto conforto, afinal, quem fica parado é poste... Estou proverbiando muito hoje (isso existe sim, perguntem ao Aurélio).
Momentos de ostra são importantes desde que escolhidos. Se nos fechamos como uma alternativa de fuga, como a ostra realmente faz, o que cerra a concha é o medo e não a tentativa de conhecer o “buraco mais embaixo” de nós mesmos. E temos que lembrar que ostra fechada não deixa a sujeira entrar. E se sujeira não entra, a pérola não aparece, certo?