Em um dos seminários que assisti na Formação Holística de Base da UNIPAZ, a palestrante Cerua Nolasco chamou a nossa mente de "a mente que mente". Cada dia que passa dou mais razão a ela.Alguém de vocês já tentou meditar? E uma tarefa praticamente hercúlea! Estamos tão acostumados a pensar e embarcar nos pensamentos, que sequer percebemos o quanto eles nos abalam emocionalmente. O piloto automático funciona tão bem em relação aos nossos pensamentos, que não questionamos ou filtramos o que pensamos na maioria das vezes.
No inicio, quando eu tentava aquietar o “macaco louco mordido por uma cobra e preso numa loja de cristais” – a mente, na concepção dos indianos - existia claramente um diálogo interno do tipo:
Mente 1 - Imagine um mar claro, com peixinhos coloridos...
Mente 2 - Perai, mas meditar não e esvaziar a mente? Então não pensa...
Mente 3 - Não pensa, não pensa, não pensa...
Mente 1 - Vocês não perceberam que isso não vai funcionar? Vamos voltar aos peixinhos, posso até te colocar dentro de um barco, um fazendo flutuação de snorkel, e bem relaxante,
Mente 2 - Tu não entendeste que meditar é não pensar? Assim não é meditação é só relaxamento.
Mente 3 - Não pensa, não pensa, não pensa...
Observador final - Tá tudo errado! Vou e abrir os olhos desta máquina e encerrar essa lambança.
Claro que resumi o diálogo, pois não tenha dúvidas que ele e muito mais comprido, complexo e confuso que isso.
Mas sabem, não desisti. Hoje, depois de alguns muitos meses, já consigo aquietar minha mente por mais ou menos,,, cinco minutos...
No final deles, a “Mente
Neste exato momento, sinto como se o pequeno lapso de equilíbrio que atingi se esvaísse por entre os dedos. Quase como estar flutuando e perceber seu corpo cair em um abismo, batendo contra o chão da realidade. Mas os cinco minutos em que minha mente permaneceu silenciosa têm a capacidade de sustentar tranqüilamente um dia inteiro de trabalho. Daqueles dias com problemas, sabem? E esta fugaz sensação de completude me faz insistir e buscar cada vez mais dela. Um vício bom, do qual todos deveríamos ser adictos.
Outra grande felicidade que a tentativa de dominar minha mente trouxe, foi a extinção dos monstros. Todos aqueles pensamentos que iniciam pequenos e ruins e após meia hora remoendo-os criam uma versão revista e ampliada que, diga-se de passagem, praticamente nunca espelha a realidade fática. Viram literalmente monstros, cheios de hipóteses e conjecturas.
Em outra palestra que assisti, acho que foi no festival mundial da paz, o palestrante equiparou pensamentos a um ônibus. Mandou que fechássemos os olhos e víssemos um ônibus parando no ponto. Na primeira visualização, embarcamos no ônibus e seguimos viagem, sofrendo todas as graças e desgraças da viagem. Em um segundo momento, nos orientou a perceber que o ônibus parou e abriu a porta. Só que desta vez, optamos por não entrar no ônibus. Este embarque-desembarque, podemos tranqüilamente fazer com nossos pensamentos. Não significa forçar a mente a não pensar. À forca acabamos reprimindo o sentimento que dá origem ao pensamento. Significa desviar o pensamento, quer dizer vê-lo chegar, abrir as portas e passar, sem que nos apeguemos a ele. Não e difícil. Basta agir conforme nos ensinou um dos grandes mestres que passou pela terra: orai e vigiai. Ou como dizia uma terapeuta que ocnheci: vigiai, vigiai e se der tempo ore!!!