Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Merecimento.


Foge um pouco à minha intenção falar sobre política neste blog. Em geral, conversas sobre posições políticas pessoais geram muito mais desencontros do que encontros.

Todavia, não consigo me abster de transmitir o que senti com tudo que aconteceu nestas eleições.

Deixemos de lado as votações para Presidente e Governador, chefes do Poder Executivo.

Vamos falar do Legislativo.

Se pensarmos bem, percebemos que a responsabilidade pela ética na política e pelo bom uso do dinheiro público é principalmente dos nossos Senadores e Deputados. Eles não só aprovam as normas que regem nossa vida, como na maioria das vezes são corruptíveis ou corruptores. Se a eles não interessar a troca de favores e de verbas, o ciclo se interrompe.

Evidente que podemos eventualmente ter a participação nos esquemas de corrupção dos chefes do Executivo, mas se não houver respaldo dos membros do Legislativo, a tendência é que falhe uma peça e o efeito dominó se interrompa.

Só que ao assistir o Jornal Nacional de hoje, me certifiquei de que grande parte da população do nosso país faz jus à fama de não ter memória política, ou pior, talvez se identifique com os que utilizam seus cargos públicos em benefício próprio.

Foram eleitos diversos deputados que tiveram seus nomes envolvidos nos mais variados escândalos, tanto no governo atual quanto em anteriores, a exemplo de Fernando Collor, Senador eleito com grande votação por Alagoas.

E para completar, ouço Clodovil Hernandez, Deputado Federal, dizer que “vai chegar a Brasília chiquérrimo”. Perguntado quanto às suas propostas encolhe os ombros e responde: “Não sei. Não sei nem se tem política no Brasil”.

Qualquer comentário que eu tentar tecer sobre o fato, vai ser inócuo diante do absurdo da situação.

Ainda elegemos quem mais aparece na mídia, pouco importando de que forma. Falem mal ou falem bem, mas falem de mim... Uma celebridade desonesta é mais aprazível que um honesto desconhecido.

Enquanto não percebermos a importância que tem nosso voto e a responsabilidade que carregamos ao eleger um deputado, vamos presenciar a política aética e corrupta. Enquanto as velhas figurinhas há anos carimbadas com carimbos forjados e os nomes enlameados retornarem junto de seus falsos sorrisos arrependidos, vamos continuar a ver dólares passeando pelas telas de nossas TVs e nos convenceremos que realmente temos os governantes que merecemos.

Todos nós somos corruptos em nossas vidas privadas. A grande diferença é o curto alcance das nossas corrupções. Já o político que detém consigo o mandato para agir em nome de seus eleitores, quando decide ser corrupto atinge grande parcela da população. Deixa de servir para ser servido, fugindo do objetivo de seu mandato.

Mas o que está ao nosso alcance?

Pensar ao votar em nossos legisladores, concedendo a eles a importância política de que são portadores.

Além disso, se tornarmos nossa vida privada menos corruptível nossos pequenos terão os bons exemplos do pai que devolve a carteira que encontrou na rua ou que não fura a fila no trânsito para chegar um minuto antes a algum lugar. Quem sabe então se, no futuro, poderão ser melhores deputados e eleitores.

Só para constar, nenhum dos meus candidatos a Senador e Deputados foi eleito.

Entretanto, votei com a sensação do beija-flor que fez a sua parte ao tentar apagar o grande incêndio, torcendo não só para que a água que leva no bico ajude a apagar o fogo, como também para que realmente seja água e não gasolina...